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Sobre

Uma Ponte Entre o Brasil e o Irã* 

Sempre achei que a melhor maneira de conhecer outro país é começando por entender sua cultura. Recentemente comecei a notar o fenômeno dos blogs de brasileiras e seus relacionamentos com outras culturas do Oriente como árabe, turca e indiana. Mas não pude deixar de sentir uma grande lacuna quando se tratava de informações sobre a cultura iraniana em nosso idioma. Por isso, em janeiro de 2012 decidi criar o Chá-de-Lima da Pérsia, que é o primeiro e único blog brasileiro exclusivamente voltado para a cultura do Irã.

E por que escolhi falar deste país? Quando comecei a acessar as comunidades virtuais de aprendizado de idiomas como Livemocha, tive a oportunidade de conhecer vários iranianos. Apesar de o Facebook e os blogs serem oficialmente banidos em seu país, quase todos os iranianos que conheci têm acesso a essas redes sociais. Aqueles com quem mantenho contato são pessoas cultas, com formação superior, que falam ou tem interesse em Inglês e outras línguas. Muito além da mera amizade virtual, considero esses iranianos como pessoas próximas, alguns dos quais mantenho contato há mais de 4 anos. 

Muitos pensam que o Irã é um lugar perigoso por fazer fronteira com países como Iraque, Afeganistão e Paquistão. Isto significa que ele está situado bem no meio de onde a coisa “pega fogo” lá no Oriente Médio. Não é de surpreender que as notícias que chegam até nós por meio da mídia internacional venham saturadas de fatos negativos traduzidos como terror e opressão. 

A fim de desmistificar essas impressões, tive a oportunidade de viajar ao Irã durante 21 dias (23 de agosto a 12 de setembro de 2013). Fui levada a desafiar meus temores e ter coragem de empreender essa viagem sozinha, sem guias, mas contando com o valioso apoio dos meus amigos iranianos. Sem contar que esta foi também minha primeira viagem internacional. 

Ao chegar lá encontrei cidades seguras, onde as pessoas não temem assaltos nem crimes. Ruas limpas e arborizadas, parques com palácios históricos exuberantes, praças com muitas flores e esculturas modernas espalhadas pela cidade, além de bandeiras do Irã tremulando orgulhosamente por toda parte!

É verdade que o povo iraniano ainda anseia por mais de liberdade de expressão. Mas isso não faz deles um povo triste e abatido. Eles demonstram muito orgulho de sua herança cultural e tradições milenares e adoram compartilhar tudo isso com os estrangeiros. São discretos e polidos nas ruas, mas dentro de suas casas cantam, dançam, fazem piada de tudo (inclusive política e religião) e dão risada pra valer. Considero esse relacionamento de amizade que mantenho com os iranianos como uma verdadeira ponte. Através dos contatos constantes com eles, aprendi a distinguir cultura de política, ou outros fatores que nada tem em comum com o espírito de um povo.


E porque o blog se chama Chá-de-Lima da Pérsia? Sabemos que o chá é uma das tradições mais fortes da cultura iraniana, ou seja, da antiga Pérsia. Isto quer dizer que os iranianos bebem chá no café-da-manhã, almoço e jantar! Somado ao nome da fruta cítrica que conhecemos aqui no Brasil como lima-da-pérsia, que carrega despretensiosamente o nome desta brilhante civilização, o nome do blog sugere a combinação de elementos de sabor exótico e agradável que aproximam as duas culturas. 

E qual é a proposta do blog? O Irã que apresento através do Chá-de-Lima da Pérsia passa distante das discussões sobre ideologias políticas e religiosas. A ideia não é negar ou omitir os problemas reais que existem no Irã, mas apreciar com outros olhos a cultura de um país que é constantemente injustiçado e que muitos temem visitar por desconhecer o que ele é de fato. Tomando como referência as palavras do cineasta Majid Majidi, podemos entender a urgência de compreender o mundo por outro viés que não o político:
"A linguagem da política, e a política em si, sempre criaram diferenças entre as pessoas. Mas a linguagem artística e cultural da nossa civilização sempre agiu de outra maneira: ela sempre uniu as pessoas. (...) Basicamente, cultura e arte são baseados em características comuns entre as pessoas. Não importa o país ou cultura, você sempre acredita em amizade, você sempre acredita nos valores humanos, e você sempre acredita na paz. Estes são os valores básicos que todo mundo acredita, e nós podemos demonstrar esses valores e fazê-los permear através das manifestações culturais e artísticas”  
Fazer um blog sobre cultura iraniana não é uma tarefa fácil, principalmente por ser este um país tão exótico aos olhos ocidentais. Apesar de ser alvo da antipatia americana, o Irã vêm despertando uma crescente curiosidade no mundo. Por esse motivo trago aqui um pouquinho de informações para quem ainda está se perguntando: Irã? Mas que país é este?  

Por fim, para todos aqueles que tiverem um real interesse ou mera curiosidade de saber mais sobre a cultura iraniana, convido a visitar o blog Chá-de-Lima da Pérsia que tem um belo layout inspirado em uma chai khaneh (“casa de chá”). Navegando pelas páginas do blog você poderá assistir filmes iranianos online, aprender um pouco do idioma falado no Irã, conhecer as etnias, tradições e manifestações artísticas do Irã e por fim ler o relato de minha viagem.

*Artigo publicado na Revista Eletrônica Azad (agradecimento especial à Janaynne Carvalho do Amaral)