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Jafar Panahi: " O Balão Branco"


Com todo o destaque que o cinema iraniano vem recebendo atualmente, não podemos esquecer os premiados clássicos que marcaram passagem em Cannes e em outras importantes premiações ao redor do mundo. Um exemplo dos mais memoráveis é "O Balão Branco" (Badkonake Sefid ), um filme de 1995 do diretor Jafar Panahi, escrito por Abbas Kiarostami e que aqui no Brasil foi destaque na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme mostra as tradições da véspera do Ano Novo Iraniano, conhecido como Norouz. Nesta época os iranianos pensam em decorar  suas casas da melhor maneira e as crianças estão pensando em ganhar doces e brinquedos. Mas o maior desejo da garotinha  Razieh  de 7 anos, é um peixinho dourado que ela viu em uma loja. A partir daí começa a chantagem da menininha para comprar o lindo peixinho, já que aqueles que tinham no lago de sua casa eram tão magrinhos e sem graça...

Razieh (Aida Mohammadkhani)
Ela pede ajuda a seu irmão mais velho, Ali, que acha uma maluquice gastar 100 tomans em um peixe, já que com esse dinheiro eles poderiam ver dois filmes no cinema. Mas a insistência da menina é tanta que sua mãe lhe dá uma nota de 500 tomans e pede para ela trazer o troco. E é que aí realmente começa a confusão, pois a garotinha sai de casa sozinha para comprar o peixinho e no meio do caminho, apesar dos alertas de sua mãe, se aproxima de um encantador de serpentes que usando a malandragem quase consegue roubar seu dinheiro.

O encantador de serpentes 
No caminho, Razieh perde o dinheiro...
Mas mesmo tendo conseguido escapar do malandro artista de rua, desta vez ela deixa o dinheiro cair dentro de um buraco na entrada de uma loja que está fechada por causa das festividades. Ao perceber que a irmãzinha está demorando muito, Ali vem a seu encontro e fica muito bravo ao encontrá-la sentada na entrada da loja conversando com pessoas estranhas que ali aparecem como um jovem soldado do interior que diz ter uma irmã da mesma idade que Razieh. Mas a maior preocupação de Ali na verdade é com o dinheiro, e com a surra que ia levar de sua mãe ao chegar em casa sem o troco de 400 tomans!

Razieh e o soldado (Mohammad Shahani)
Razieh e seu irmão Ali (Mohsen Kafili)
Mas como alcançar o dinheiro  lá no fundo do buraco que está protegido por uma grade? E como chamar o dono da loja para ajudar, se eles não sabem o endereço e todos os outros vendedores que o conhecem já estão com suas lojas estão fechadas? A ajuda vem da forma mais improvável possível, de um menino afegão que vende balões amarrados em uma vara de madeira!
O título do filme parece vir obviamente do único balão de cor branca que o menino afegão ainda tem para vender. E as tentativas de puxar o dinheiro para fora do buraco, grudando um pedaço de  chiclete na ponta da vara se torna uma brincadeira divertida entre as três crianças.
Razieh, Ali e o menino afegão (Aliasghar Smadi)
E com uma história aparentemente simples, em um cenário social tão modesto, o autor consegue prender nossa atenção do começo ao fim, trazendo nas entrelinhas o que parece ser uma importante mensagem. Os imigrantes afegãos, que quase sempre aparecem em papéis de vítimas da sociedade em outros filmes, aqui se torna bem nos momentos finais, representados pelo menino dos balões o personagem que muda o rumo da história...

>> Assista o filme completo aqui: 


2 comentários

  1. E quem salvou o mundo foi o menino afegao.
    Mensagem bonita a do filme.

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