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Evento gratuito: A Pérsia e a representação feminina no cinema

Shaghayeh Djodat em "Gabbeh" (1996)
Salam amigos! Este sábado 29/04, em São Paulo, haverá a palestra A Pérsia e a representação feminina no cinema, com a presença do diplomata brasileiro Álvaro Galvani, que vive na capital Teerã, e de Aline Moreira do Amaral, mestre em História pela PUC-SP, com tese dedicada à representação da mulher no cinema iraniano. Vamos viajar para a Ásia Ocidental, revisitar a Pérsia antiga dos reis Aquemênidas, rememorar a beleza poética de Rumi e outras grandes obras dessa civilização. 

Onde: Tapera Taperá ( Av. São Luiz, 187, 2º andar, loja 29 - Galeria Metropole )
Quando: Sábado, 29/04/17, às 15h

O evento é gratuito e aberto ao público. 


Feliz Páscoa Brasil e Irã!

Salam amigos! Com a proximidade que a Páscoa cristã tem em nosso calendário da tradicional celebração do Ano Novo Iraniano, o Nowruz, as comparações acabam sendo inevitáveis. E a mais notável semelhança é que os ovos coloridos estão presentes em ambas as celebrações! O fato é que no Irã, não existem ovos de chocolate, mas a tradição de decorar ovos para celebrar a chegada da primavera existe há milênios, antes mesmo da chegada do cristianismo às terras da Pérsia. 
As comunidades cristãs, armênia, assíria, católica e protestante do país, celebram a Ressurreição de Cristo em diferentes datas de acordo com o calendário litúrgico que seguem. A saudação de Páscoa em persa é: Eid-e Pak Mobarak! 
O vídeo a seguir mostra estas celebrações em duas importantes igrejas históricas localizadas no bairro de Jolfa, na cidade de Isfahan:



Feliz Páscoa Brasil e Irã, com esperança de renovação para todos! 
Que tal deixar um comentário com o seu desejo para esta data? 


Por que eu ando sumida?


Salam amigos! Voces devem estar se perguntando por que o blog anda tão parado nas duas ultimas semanas! Infelizmente, devido a alguns problemas técnicos em meu computador e outras atividades profissionais, andei sem tempo para postar o encerramento do Nowruz e o resultado da nossa Enquete sobre o perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia, alem das postagens da nossa fanpage. Mas, provavelmente até o final desta semana voltarei ao ritmo normal das publicações com muitas novidades sobre a cultura do Irã em nossa casa de chá virtual. (Neste momento postando de outro computador, perdoem a falta de acentos!) 

Obrigada a todos os leitores fieis pelo carinho de sempre! 
Abraços da Moça do Chá!


Desvendando os símbolos do Nowruz: a filosofia da Haft-Sin

Haft-Sin, uma das tradições do Nowruz
Salam amigos, estamos no 8º dia do Nowruz, o Ano Novo persa! Durante os dias da celebração desta data, vamos nos aprofundar e compreender os seus simbolismos. Cada um dos rituais e símbolos do Nowruz tem uma rica história na arte e cultura iraniana, e cada qual simboliza algum aspecto importante da vida humana. 

Um dos elementos mais conhecidos desta tradição é a Sofreh Haft Sin, a toalha de mesa na qual são colocadas sete objetos começados com a letra S, dos quais já falamos aqui no blog (veja o post "Os simbolismos da Haft-Sin"). Mas uma pergunta que muitos devem fazer é: Se Haft-Sin significa literalmente "Sete Ss" por que há mais de sete objetos na mesa e por que muitos deles  não começam com a letra "S" em persa?

Entre estes símbolos que não começam com a letra sin  podemos destacar:  Sham (vela), Ayeneh (espelho), Mahi (peixe), e Tokhmeh Morgh (ovos).

Uma possível explicação é que o termo sin, talvez não se refira à letra do alfabeto persa, mas a um encurtamento da palavra sini (ou bandejas), que originalmente detinha estes símbolos essenciais. Estes símbolos se dividem em três do mundo material (ou donyaheh mahdudiat), três do mundo conceitual (ou donayeh mânah), e um que faz a junção dos dois mundos.

Os símbolos do mundo material:
  1. Sang : pedra - símbolo da matéria - a forma mais baixa do mundo material
  2. Sabzeh: - grama - broto de trigo, cevada ou lentilha, símbolo do mundo vegetal e do renascimento
  3. Tokhmeh morgh: ovo decorado com desenhos - símbolo do reino animal e da fertilidade
Os símbolos do mundo conceitual:
  1. Sham: vela - símbolo da luz do ser, da energia ou da força criadora
  2. Ayineh: espelho - símbolo do campo das possibilidades onde a força criativa reflete e torna tudo possível
  3. Mâhi: peixe na água - símbolo do infinito (água) e da vida dentro dele (peixe)
Símbolo que une os dois mundos:
Sharab: vinho - símbolo do humano, com o jarro ou vidro como o corpo (material) e o vinho como o espírito (conceitual)
Tomados como um grupo, estes símbolos mostram uma progressão do material para o espiritual, com a pedra (matéria) no extremo inferior, e a vela (energia) no mais alto, e o vinho (humano)  conectando estes dois mundos. Assim, o objetivo da Haft-sin, é nos lembrar de nosso propósito como seres humanos neste mundo. A ideia de que estamos aqui não só para experimentar o mundo material com suas limitações, mas também para experimentar a transcendência e a consciência superior no plano espiritual ou conceitual.

Além disso há sempre um livro na mesa do Haft-Sin. Possivelmente com a chegada do islã no Irã, há cerca de mil anos, os  persas convertidos à nova fé adicionaram o Alcorão no meio de sua mesa sagrada de modo que sua tradição pudesse continuar a viver. Com o passar do tempo, alguns segmentos da sociedade tornaram-se mais seculares, algumas pessoas começaram a substituir o livro sagrado do Alcorão por um de poesia como o Divan de Hafez, ou o Shahnameh de Ferdowsi.

E quanto aos dois  símbolos que desapareceram desta tradição: sang (pedra) e sharab (vinho)?
Na verdade, eles não desapareceram, mas foram substituídos por outros. As sekkeh (moedas), geralmente feitas de ouro, são de origem mineral como a pedra. E o serkeh (vinagre) passou a ocupar o lugar do vinho, que não é permitido pelo Islã.

(Baseado em artigo de Farhad Mohit para o site Payvand)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! 
Deixe um comentário com o seu desejo para o Ano Novo Persa de 1396!


O Nowruz através da história do Irã


Salam amigos! Hoje é o 6ª dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo Persa! Vamos continuar desvendando as origens desta data, e no post de hoje, vamos falar do desenvolvimento desta tradição na história do Irã. 

Segundo o célebre historiador iraniano Mehrdad Bahar a celebração do Nowruz remonta a um período antes da chegada dos arianos ao planalto iraniano. Essas festas eram celebradas pelas tribos pré-históricas de agricultores e sobreviveram através das eras. Não há nenhuma referência ao Nowruz ou sua tradição no Avesta. Porém, nos textos Pahlavi e dos Maniqueus, há muitas referências a primeira celebração do ano novo comemorada em Takht-e Jamshid (Persépolis). No Dinkart, o livro zoroastriano de ciências religiosas escrito em Pahlavi, o Nowruz é mencionado como uma celebração iraniana muito antiga.

De acordo com a pesquisa realizada sobre as inscrições de pedra e tabuletas do período aquemênida, todos os anos, representantes de nações e tribos se reuniam em Takht-e Jamshid para comemorar o Nowruz  no palácio de Apadana em uma cerimônia assistida pelo rei e lhe apresentavam seus presentes. Takht-e Jamshid foi reverenciado como um local sagrado e cada rei ia até lá uma vez por ano para comemorar o ano novo e visitar os túmulos de seus antepassados. Na era Sassânida, era um costume para os reis libertar um falcão branco neste dia e consumir um pouco de leite fresco e queijo para evocar a bênção.

Após o advento do Islã, a tradição iraniana assumiu um tom religioso e com a ascensão dos Abássidas a celebração  do Nowruz prosperou. As sucessivas dinastias iranianas dos Taherian, aos Safarian, Buyidas, Ghaznavidas e Seljúcidas mantiveram e exaltaram esta festa. Um dos atos mais significativos realizados durante a era dos Seljúcidas foi a mudança da celebração de Nowruz de seu deslocamento anual para o início do primeiro dia da primavera e do primeiro mês do ano, Farvardin. Em 1080, Seljuq Malek Shah estabeleceu uma missão para oito astrônomos incluindo Omar Khayyam para calcular com precisão e ajustar o calendário persa.

Sob o domínio dos Corásmios (1077- 1231) o Nowruz era celebrado tão majestosamente que nem mesmo os mongóis e os timúridas puderam ignorá-lo. Na era do Safávidas (1502-1736), as celebrações do Nowruz foram misturadas com certos cultos e rituais islâmicos e assumiram também um aspecto religioso. Durante a dinastia Qajar, a celebração de Nowruz foi tratada com seriedade e geralmente era realizada com especial solenidade. Nos dias atuais, os iranianos consideram o Nowruz como um dia auspicioso e sagrado com base em sua tradição religiosa. Eles combinaram o ritual do Nowruz com a cultura iraniano-islâmica e desta forma lhe deram um esplendor especial.

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! Envie ou deixe nos comentários uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396?